EDITORIAL
Que as musas revisitadas na língua de Camões nos socorram na ingente tarefa . Por amor à língua materna , alíngua, engenho e arte não nos faltem, se assumimos o risco e o dever e a audácia de dizer o inaudito . Pretensão .
Mas, se "damos" alguns erros , como nos diz Ariano Suassuna, não fazemos mais do que a obrigação de menos zelar pela cantiga do que pelo cantar .
"Escorreguem, mortais ", dizia a tia do Sartre. Mancar não é pecado , ao menos na psicanálise .
Que outros - os nossos queridos convidados - mostrem também o seu canto . Dessa polifonia , nasce o Engenho , revista de psicanálise da Fazenda Freudiana de Goiânia, empenhada no ensino e transmissão da palavra criadora de Freud, de Lacan, e de quem mais chegar . Ao bem-dizer .
Roberto Mello
Goiânia, 9 de maio de 2002. |
EDITORIAL
Ao completar dez anos de atividades , a Fazenda Freudiana deu relevo à função da literatura na formação do psicanalista , durante os trabalhos de sua X Jornada , cujo tema , Psicanálise e Literatura , ensejou uma estimulante discussão sobre os efeitos curativos da arte literária .
Do diálogo produtivo entre analistas e escritores, renasceu a indagação sobre a morte do autor, para se saber quem, de fato, escreve, se o inconsciente pode ser entendido como uma escrita ; não escaparam do debate a função da letra na clínica e no fazer literário, a definição de estilo, a questão da psicanálise "aplicada" à obra de arte, a própria noção de "obra" , a sublimação, as afinidades entre loucura e criação artística, a chamada psicose inspirada, o papel da fantasia, e até mesmo as "manias" dos escritores, invocando as condições propiciadoras do ato criativo.
A revista Engenho chega ao segundo número , apresentando aos seus leitores um resumo desse rico debate .
Roberto Mello
Goiânia, 15 de maio de 2004. |